As
lições que o mundo nos
dá
Autor(a):Jehozadak
Pereira
O
jornal New York Times, teve recentemente
abalada a sua reputação
por causa de um escândalo
Ética
vocábulo proveniente
do grego com que se designa tanto
a realidade como o saber, relacionados
com o comportamento responsável
em que entra em jogo a bondade ou
a maldade da vida humana.
O jornal New York Times,
um dos mais influentes e conceituados
veículos de comunicação
do mundo, teve recentemente abalada
a sua reputação por
causa de um escândalo proporcionado
por um dos seus jornalistas. Jayson
Blair um repórter forjou
matérias, copiou, plagiou,
inventou histórias, dizia estar
em determinados lugares quando estava
em outros, até que foi descoberto
e demitido. Confessou-se viciado em
drogas e mentiroso e tentando justificar-se
disse ser depressivo. O caso repercutiu
bastante na mídia americana
e mundial. Por conta disto, o editor-executivo,
Howell Raines, e o secretário
de redação, Gerald Boyd,
pediram demissão em função
do escândalo sobre ética
jornalística que envolveu Jayson
e um outro repórter do jornal.
Ambos Raines e Boyd
um negro como Jayson, sentiram-se
constrangidos com o desenrolar da
história e, pressionados por
outros jornalistas, decidiram por
retirar-se, envergonhados e constrangidos
por terem sido negligentes.
Fico imaginando que
lições nós, os
crentes em Cristo podemos tirar deste
episódio. Muitas lições,
a primeira e primordial é que
a mentira será sempre desmascarada
cedo ou tarde; outra coisa
é que não há
perdão para erros e enganos.
Pois bem, no nosso meio fazemos vistas
grossas àqueles que agem do
mesmo modo e forma. O que eu estou
dizendo? Estou afirmando que não
tratamos do mesmo modo quem, no nosso
meio, age do mesmo modo.
Eu explico.
Metade ou mais dos textos publicados
por cristãos na internet, ou
ainda em livros ou outros meios impressos
é cópia descarada de
trabalhos de terceiros. Se eu estou
louco em afirmar isto? Claro que não.
Estou falando do que conheço,
pois sou dos mais copiados e plagiados
no meio até por católicos.
Estes textos que são
publicados por sites cristãos,
não resistem a uma análise
criteriosa de conteúdo. Escrevo
para o site www.evangelicos.com, por
causa de um plágio. Descobri
um dia um texto publicado que era
cópia fiel do meu livro. Interpelei
o articulista e ele na
maior cara de pau disse ter escrito
o artigo para me homenagear,
só que o nome dele estava lá
como autor, logicamente. Tenho esta
desculpa como uma pérola impagável.
No ano passado lia um artigo publicado
num dos maiores portais evangélicos
do Brasil, escrito pelo líder
e pastor do grande ministério
a que o site está ligado, e
à medida que ia lendo fui descobrindo
ali coisas que eu havia escrito. Interpelado,
o grande líder, jamais me atendeu,
e somente retificaram o erro quando
eu gritei.
No entanto para a reparação
do erro, publicaram o artigo original
no mesmo espaço onde estava
o plágio, mas nunca recebi
uma palavra de desculpas do autor
do texto. Ficou por isso mesmo, mesmo
porque não foi ele quem escreveu.
Na área de literatura
então a coisa é ainda
pior. Há um outro grande e
conhecido conferencista, que alardeia
ser escritor. Mentira. Paga para outros
escreverem seus livros que ele registra
como se fossem seus e é ele
quem edita, publica, imprime e vende
muito ao final de cada uma das suas
palestras.
E ele não é o único.
Tem um monte deles ai que fazem o
mesmo. Mas como sempre diz um grande
pensador do evangelicalismo brasileiro
isto é pilantragem!
Vocês podem estar
se perguntando de novo qual é
o problema de se agir assim? Ora,
se eu vendo algo que não é
meu o que é? Transgressão,
erro, mentira, dolo, engano, má
fé e por ai afora. Conheço
um autor americano, que grava os seus
escritos e uma secretária os
transcreve e as correções
de conteúdo são mínimas,
e nos créditos de cada livro
está lá a observação.
Isto sim é caráter cristão.
Quem compra sabe o que está
de fato e de direito comprando. Omitir
isto dos leitores é muito estranho,
para não dizer safadeza.
Tempos atrás
tive acesso a uma série de
livros sobre o Apocalipse, que são
plágios descarados dos escritos
de Wim Malgo e editados no Brasil
pela Chamada da Meia Noite. O autor
é um líder robusto,
e cujo intelecto nem de longe poderia
produzir obras daquele quilate, mas
ele é dos que mais vende livros
no Brasil.
Vergonha? Nem um pingo.
E os que mandam traduzir livros principalmente
de autores americanos e os copiam
na maior cara de pau? Botam no mercado
idéias de outros, sem gastar
um tostão com direitos e royalties.
Grande parte dos livros
publicados hoje no Brasil são
editados pelos próprios autores
que embora registrados nos devidos
órgãos competentes
muitos nem o fazem não
deixam de ser cópias de terceiros,
pois por exemplo a Câmara
Brasileira do Livro ou a Biblioteca
Nacional não confere certificado
de propriedade intelectual. Muitos
dos que compram estes livros não
se dão conta de que são
enganados, pois afinal é escrito
por um pastor, invariavelmente.
Muitos destes que copiam desconhecem
o sentido das palavras Todos os direitos
reservados, All rights reserved, ?,
copyright by. Estas palavras significam
que a publicação está
sob proteção e que tem
um dono dos direitos e mais ainda
há a propriedade intelectual,
quase sempre desrespeitada. Muitos
poderão dizer que embora cópias,
e apesar de ter sido escrito por terceiros
servem de edificação
e incentivo para muitos. Será
mesmo?
Um dos grandes e cruciais problemas
de quem pratica tais coisas é
a falta de ética. Dai a afirmação
de que o mundo às vezes nos
dá lições importantes.
Tempos atrás
recebi um material de uma pessoa que
se dizia escritor e que desejava publicar
um livro que havia escrito.
Só de curiosidade comecei a
pesquisar o conteúdo na internet.
Qual não foi minha surpresa
ao constatar que de literalmente tudo
era cópia. Plágio puro,
de capa a capa. Conversei com o autor
e muito sem jeito ele admitiu que
havia copiado tudo, pois tinha grande
vontade de ser escritor. Este é
o grande problema da maioria
querer ser aquilo que não é,
querer mostrar para os parentes, os
amigos que produziu algo, que jamais
teve condições de produzir.
E como este autor está
cheio por ai. São crentes,
são salvos, mas desconhecem
a profundidade e o real sentido da
palavra e da prática da ética.
Sou jornalista,
mas gosto mesmo é de marcenaria.
Gosto de fazer móveis, cadeiras,
e minha ética como marceneiro
é igual à minha ética
como jornalista não
tenho duas. Não existe uma
ética especifica do jornalista:
a sua ética é a mesma
do cidadão. Suponho que não
se vai esperar que, pelo fato de ser
jornalista, o sujeito possa roubar
a carteira de outro e não ir
preso. Onde entra a ética?
O que o jornalista não deve
fazer que o cidadão comum não
deva? O cidadão não
pode trair a palavra dada, não
pode abusar da confiança do
outro, não pode mentir. O jornalista
não tem ética própria.
Isso é mito. A ética
do jornalista é a ética
do cidadão. O que é
ruim para o cidadão é
ruim para o jornalista.
Estas palavras são de Cláudio
Abramo, um dos maiores jornalistas
que o Brasil já teve e não
consta que ele era um cristão
professo. Quantos dos nossos escritores
e autores poderiam usar as palavras
do incréu Abramo?
Nenhum. Afinal perderiam a boquinha
de se dizerem escritores. Só
não sei como sobem num púlpito
para pregar e falar do grande e imenso
amor de Deus. Não estou julgando
ninguém sou costumeiramente
acusado de emitir juízo nos
meus textos e certamente serei xingado,
de novo, por gente que se diz cristão,
e desta vez certamente não
será diferente.
Propositadamente eu usei os termos
escritores e autores entre aspas,
pois quem copia e plagia não
merece consideração.
Outros vão me
desancar porque uso este espaço
para criticar outros irmãos
em Cristo, e por isso quero fazer-lhes
uma pergunta como você
reagiria se um que se diz cristão
lhe roubasse o dinheiro da carteira?
Você não o consideraria
um cristão genuíno certamente.
Pois é exatamente isto que
eles fazem com você. Metem a
mão no seu bolso e tiram seu
dinheiro com a sua concordância,
vendendo para você algo que
embora, tenha o nome deles não
é nem de longe escrito por
eles. Entenderam o espírito
da coisa?
Agora mesmo, recebi um e-mail me criticando
por haver escrito o artigo Pirataria
de Estudos Bíblicos, quem me
escreveu disse que eu não devia
me preocupar em ganhar dinheiro com
os meus textos. Não sei de
onde ele tirou a idéia de que
ganho para escrever? Primeiro porque
não quero e depois por estar
exercitando minha vocação.
Mas voltando aos nossos
escritores e autores,
pegue qualquer um dos muitos livros
que eles pagam para que alguém
escreva, e veja os estilos diferentes
de um livro para outro, pois o que
está evidente é o estilo
de cada autor, e muitos deles têm
mais de um estilo de escrita. Não
estou falando de fontes de consulta,
estou falando de cópias e de
material de terceiros mesmo.
É por este estado de coisas
que entopem nossas fileiras, que atitudes
de ímpios nos chamam a atenção,
pois a gente que dirige publicações
do porte do NYT é cobrada pelos
seus acionistas se não tomarem
atitudes. Perdem credibilidade e conseqüentemente
perdem moral diante dos seus leitores
e anunciantes, e perder credibilidade
significa perder dinheiro.
Robert Woodward e Carl
Bernstein, repórteres do Washington
Post, denunciaram o arrombamento da
sede do partido Democrata, por gente
a mando de Richard Nixon. A direção
do jornal e os jornalistas foram pressionados
por todos os lados, mas seguiram em
frente e tempos depois Richard Nixon
renunciou à presidência
do Estados Unidos da América
para não ser cassado.
Creio que Deus
usa a cada um naquilo em que foi chamado.
Querer ser aquilo que não é,
gera crise de credibilidade e nós
que somos cristãos não
podemos nos dar o direito de ser maculados
com coisas do tipo.
O que vemos hoje é um abuso,
uma falta de respeito para com toda
a coletividade por uma minoria que
deseja se passar por aquilo que efetivamente
não é. O mundo trata
este tipo com dureza e rudeza. Não
sou apologista de que exemplos mundanos
sejam seguidos por nós, mas
esta atitude que a direção
do NYT tomou deve sem dúvida
alguma ser seguida por nós.
Que tal pensarmos nisto?