O valor
da virgindade
Tiago
Monteiro
Vivemos
épocas cada vez mais difíceis onde os padrões
morais são contaminados, provocando uma
inversão de valores. Como já se não bastasse
gravidez em adolescentes cada vez mais novas,
surgem meninas vendendo a virgindade para
milionários. Diante do valor cada vez mais
baixo da virgindade e o poderoso apelo às
relações sexuais precoces, qual seria a
vantagem de se manter virgem ou como escapar
dos apelos da carne quando os hormônios
estão à flor da pele?
Para
o pastor Adriano Gomes, coordenador do Ministério
"Quem Ama Espera", da Junta de Mocidade
da Convenção Batista Brasileira, todos os
jovens passam por um bombardeio de idéias
nos moldes da pós-modernidade. Isto é cultivado
através de elementos como o hedonismo (prazer
acima de tudo), individualismo (o que importa
sou eu), o existencialismo (o que importa
é o aqui e agora) e, principalmente, o humanismo
(homem se acha o centro do universo e acima
de Deus). "Essa cultura visa suplantar qualquer
valor ortodoxo ou conservador, que - segunda
a visão moderna - são valores ultrapassados
e aí entram a virgindade, mas também o casamento,
o heterossexualismo, os tipos de roupa e etc.",
diz.
Segundo
o pastor, a virgindade não é simplesmente
uma questão biológica, mas umaquestão cristã
muito séria, pois há uma violação de algo
que não pertence ao indivíduo, seja homem
ou mulher. Além disso, quando a aliança
do sexo antes do matrimonio é quebrada,
há grandes prejuízos emocionais que vão
influenciar inclusive no casamento.
O casal Antônio Carlos Lopes (34) e Alcina
Mizael Villar Lopes (32), responsáveis
pelo grupo jovem da Comunidade Internacional
da Zona Sul (RJ), explicam a importância
de se guardar para o matrimônio. Segundo
eles, nunca tiveram ensinamentos dos pais
sobre sexualidade e a ética cristã, mas,
apesar disso, o casal permaneceu virgem
até a consumação do casamento. Antônio conta
que o segredo foi aprender a não dar brechas
em coisas aparentemente pequenas, tais como:
ficar isolado das pessoas, beijos prolongados,
abraços demorados e etc.
Foram três anos até o casamento e, até lá,
descobriram que a vontade de Deus, no que
diz respeito à virgindade, é boa, perfeita
e agradável, sabendo que Ele criou o sexo e
que, praticá-lo fora do matrimônio, seria
contrariar tudo isso. Tanto Antônio quanto
Alcina demonstram que o preço da obediência
foi a consciência de que é maravilhoso saber
que antes não houve "outros" ou "outras".
"É maravilhoso provar o que é um leito sem
mácula", diz Alcina.
Para
o pastor Adriano, a liderança ainda está
aquém do que é necessário para lidar com
esta questão. "Em muitas igrejas, temas
como sexo, aids, doenças sexualmente transmissíveis,
aborto e outros não são falados e até escondidos.
Vi o caso de uma igreja em que uma determinada
mãe (membro da igreja) orientava a sua filha
a usar camisinha quando fosse namorar (a
garota tinha somente 11 anos). Ela poderia,
antes de explica sobre a camisinha, falar
dos valores bíblicos cristãos e da importância
dela se guardar para ter relação sexual
no momento certo", orienta.
Desde alguns anos, é possível observar meninas
engravidando cada vez mais cedo e, devido
à imaturidade, não sabem como proceder com
esta nova realidade. Prova de que muitas
igrejas não estão preparadas para tratar
do tema virgindade. Adriano revela que já
acompanhou uma menina que engravidou com
13 anos de idade. De acordo com ele, o namorado,
pai da criança, queria assumir o filho,
mas não foi possível, pois a mãe da adolescente
- líder de uma igreja - resolveu junto com
outras "irmãs", praticar o aborto.
O pastor conta que a melhor maneira de lidar
com estas questões dentro das igrejas é
pela informação e ensinamentos à luz das
Escrituras. Porém, "a informação não pode
ser maculada, precisamos também utilizar
uma linguagem clara no momento de falar
sobre estas questões para nossos jovens".
Para quem acredita que o tema já foi demasiadamente
debatido entre as comunidades religiosas,
certa vez, em uma igreja, Adriano chegou
a ser expulso por falar nomes científicos
dos órgãos sexuais e mostrar a imagem destes
em painéis da palestra sobre as doenças
sexualmente transmissíveis. "Ora, se o jovem
quiser saber disso é só dar alguns cliques
na internet e ele verá, como também verá
pornografia, pedofilia e vários assuntos
demoníacos que hoje rondam a WEB. A prevenção
e a informação ainda são a melhor solução.
Os valores precisam ser reforçados e os
líderes têm que se atualizar para dar conta
desta demanda", finaliza.
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