Namoro
sem beijo?
Tiago
Monteiro
Apesar
de já ter sido bastante discutido entre
as comunidades cristãs de todo o país a
corte ainda não foi compreendida o bastante
por alguns jovens que pretendem saber o
porquê da criação de um novo "estilo" de
namoro. Namoro sem beijo... será que a corte
é isso? A princípio ficaria difícil imaginar
como um casal de namorados poderia sustentar
um relacionamento sem demonstração de carinho,
mas, o Ministério Edificando Um Novo Lar
- da Igreja Batista da Lagoinha - descreve,
em um de seus artigos, que a corte nada
mais é do que buscar, antes do contato físico,
compromisso.
Para isso, o início da corte deve acontecer
após os seguintes passos: oração para saber
se o namoro será da vontade de Deus, conversar
muito para saber as convicções do outro
e aproveitar para testar e ver se os sentimentos
perduram com o tempo. Após este processo,
o casal deverá informar aos pais da jovem
a vontade de manter um relacionamento mais
próximo.
O que é a corte?
De acordo com Sérgio Ricardo Carvalho
de oliveira, um dos líderes do Ministério,
a diferença não está na ausência do beijo,
mas no propósito. Para ele, se houvesse
uma definição da corte seria a de "um namoro
santo". "Quanto a esta questão do beijo
e do toque... na corte você pode tudo, menos
pecar. Ou seja, definir esta questão de
beijo e abraço é complicado porque é variável
de casal para casal. O que fazemos é não
aconselhar investir o relacionamento
no contato físico de beijo e abraço porque
isto pode acabar levando à defraudação (I
Ts 4:3- 8)", afirma.
Por que adotá-la?
Sérgio explica a proposta da corte surgiu
pela necessidade de mudar alguns relacionamentos
fora dos padrões de Deus. Ele conta que
Deus deu esta visão - inclusive da mudança
do nome - para que fosse um marco e isso
ajudaria a redefinir os princípios e resgatar
padrões. "Ali a identificação espiritual
é a primeira a ser buscada e, em seguida,
a emocional", assegura.
A corte
ela começa quando já existe a simpatia entre
ambos, a identificação. É igual ao namoro,
mas, diferentemente do secular, resgata
os valores perdidos. "Um dos primeiros quesitos
da corte é a aprovação dos pais. Por uma
questão de princípios, a moça deve levar
o rapaz para conhecer a família e pedir
a aprovação dos pais. Não pela formalidade,
mas pela honra que se deve ter", comenta
Sérgio.
Com relação aos pais, eles também fazem
parte do processo porque precisam gerar
nos filhos a maturidade para saber escolher
o homem ou mulher de Deus para a sua vida.
Para saber se posicionar durante as situações.
Como lembra o líder, as mudanças no comportamento
são visíveis: as pessoas desfrutam de um
relacionamentos mais estáveis e equilibrado,
mais duradouros e menos conflitantes. São
as diferenças que temos percebidos nos casais. Segundo Sérgio,
as famílias que se formam deste relacionamento
são mais equilibradas, onde o marido sabe
exatamente qual o seu papel de sacerdote
e profeta do lar. A esposa sabe o papel
de auxiliadora idônea.
O perigo de visões deturpadas
O pastor Adriano Gomes, do projeto Quem
Ama, Espera (Jumoc), diz que algumas igrejas
olham a corte pelo prisma da imposição.
Isto porque algumas comunidades adotam a
corte proibindo o contato físico do beijo
ou o carinho. Para o pastor, neste caso,
se as duas pessoas estão de acordo não há
nenhum problema. "O que é ruim neste tipo
de relacionamento é que falta o contato.
Você acaba perdendo o carinho e o afeto.
É cientificamente comprovado que as pessoas
que trocam carinho e afeto se conhecem melhor",
comenta.
Segundo o pastor Adriano, a Bíblia cita
a corte, mas a questão do namoro é uma coisa
contextualizada. Para ele, tentar voltar
a este passado seria estar fora da realidade
que os jovens vivem. "É claro que não há
pecado em beijar, o que é pecado é extrapolar
e ter uma relação sexual. O beijo também
pode levar a isso, ele estimula sentimentos,
estimula sensações que, se não souber controlar,
podem resultar em relacionamentos mais intensos",
explica.
O programador
Aloysio Figueiredo, 24 anos - da Igreja
batista do Fonseca (RJ) - afirma que estaria
disposto a tentar a corte, mas confessa
que após alguns meses as coisas ficariam
mais difíceis. "Eu não vejo razões suficientes
para rejeitar a questão do beijo. É o caminho
natural das coisas. É meio forçar a barra
dizer que é para ter um namoro mais santo.
As pessoas não tinham problema, o que acontece
é que, como as coisas andam muito liberais,
alguns namorados vão além dos limites",
argumenta.
Para solucionar a questão, Aloysio - que
namora há três anos - lembra que o melhor
a fazer é saber os seus próprios limites.
"Realmente, o problema está no campo da
moral e da consciência. Colocar o cortejo
radical seria impor barreiras extremas no
relacionamento", completa.
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