Mito: Os jornalistas que fazem a cobertura do Oriente Médio
são movidos pela busca da
verdade.
Fato:
Ninguém deveria se surpreender
ao ser informado que os
jornalistas no Oriente
Médio compartilham do
mesmo interesse por sensacionalismo
que seus colegas que cobrem
assuntos domésticos. Os
exemplos mais destacados
são os repórteres de TV,
cuja ênfase no visual
em lugar da substância
encoraja um tratamento
superficial dos assuntos.
Por exemplo, quando o
correspondente da NBC
em Israel foi questionado
por que os repórteres
vinham para as manifestações
dos palestinos na Margem
Ocidental, que eles sabiam
ser encenadas, sua resposta
foi: "Nós entramos no
jogo porque precisamos
das fotos".[10] Em países
como a Síria, a Arábia
Saudita, o Irã ou a Líbia,
as redes de TV não têm
liberdade para obter as
imagens que lhes interessam
[por isso as buscam em
Israel].
Israel
freqüentemente enfrenta
a situação difícil de
tentar contradizer imagens
com palavras. "Quando
um tanque entra em Ramallah,
isso não é bonito na TV",
explica Gideon Meir, do
Ministério do Exterior
de Israel. "Certamente
podemos explicar porque
estávamos lá, e é o que
fazemos. Mas são só palavras.
Contra fotos, temos de
lutar com palavras".[10a]
A
magnitude do problema
que Israel enfrenta é
clara, conforme foi ilustrado
por Tami Allen-Frost,
presidente da Associação
da Imprensa Estrangeira
e produtor da ITN britânica:
"A cena mais forte que
fica na mente é a de um
tanque numa cidade", e:
"ocorrem mais incidentes
na Margem Ocidental do
que atentados suicidas
[em Israel]. No final,
o que conta é a quantidade".[10b]
Mito:
As autoridades árabes dizem
aos jornalistas ocidentais
as mesmas coisas que falam
ao seu próprio povo.
Fato:
Os líderes árabes constantemente
expressam seus pontos
de vista de forma diferente
em inglês do que em árabe.
Eles revelam seus verdadeiros
sentimentos e posições
aos seus constituintes
em sua língua nativa.
Para consumo externo,
entretanto, eles aprenderam
a falar em tom moderado.
Geralmente eles apresentam
pontos de vista muito
diferentes quando falam
em inglês para as audiências
do Ocidente. Há muito
tempo, os propagandistas
árabes já se tornaram
mais sofisticados na apresentação
da sua causa. Eles agora
aparecem rotineiramente
nos noticiários da TV
americana, são citados
na mídia impressa e se
apresentam como pessoas
razoáveis com queixas
legítimas. O que a maioria
dessas mesmas pessoas
diz em árabe, por outro
lado, está freqüentemente
muito longe do moderado
e razoável. Como os israelenses
podem traduzir facilmente
o que é dito em árabe,
eles estão bem informados
sobre os pontos de vista
dos seus inimigos. Os
americanos, porém, bem
como outros povos, podem
ser facilmente persuadidos
pela apresentação enganosa
de um propagandista árabe.
Para
dar apenas um exemplo,
o negociador palestino
Saeb Erekat é freqüentemente
citado pela mídia ocidental.
Depois do assassinato
brutal de dois adolescentes
israelenses em 9 de maio
de 2001, os jornalistas
pediram seus comentários.
O "Washington Post" noticiou
sua resposta:
Saeb
Erekat, um funcionário
palestino, disse em inglês
numa conferência de imprensa:
"Matar civis é um crime,
quer seja cometido pelos
palestinos ou pelos israelenses".
Esse comentário não foi
reproduzido em língua
árabe na mídia palestina.[12]
O
aspecto incomum dessa
história: o "Washington
Post" revelou que
o comentário de Erekat
foi ignorado pela imprensa
palestina.
Mito:
Os jornalistas conhecem
bem a história do Oriente
Médio e, assim, sabem colocar
os eventos atuais no contexto
apropriado.
Fato:
Uma causa das más interpretações
sobre o Oriente Médio
e da parcialidade da mídia
nas reportagens é a ignorância
dos jornalistas sobre
a região. Quase não há
repórteres que falam hebraico
ou árabe, de modo que
têm pouco ou quase nenhum
acesso às principais fontes.
Muitas vezes eles repetem
histórias que leram nas
publicações em inglês
da região, ao invés de
fazerem reportagens independentes.
Quando tentam colocar
os eventos no contexto
histórico, eles freqüentemente
entendem mal os fatos
e criam uma impressão
incorreta ou enganosa.
Um exemplo: durante uma
narração sobre a história
dos lugares sagrados em
Jerusalém, Garrick Utley,
da CNN, disse que os judeus
podiam orar junto ao Muro
das Lamentações durante
o governo jordaniano (de
1948 a 1967).[13] Na verdade,
os judeus eram impedidos
de visitar seu lugar mais
sagrado. Esse é um aspecto
histórico essencial, que
ajuda a explicar a posição
de Israel com relação
a Jerusalém.
Mito:
Os israelenses não podem
negar a veracidade das fotos
que mostram seus abusos.
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A
foto de um policial
israelense protegendo
um estudante judeu-americano
foi divulgada
em todo o mundo
como sendo de
um palestino agredido
pelo policial.
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Fato:
Uma foto pode valer mil
palavras, mas muitas vezes
as palavras usadas para
descrever a foto são distorcidas
e enganosas. Não há dúvida
de que os fotógrafos e
os câmeras de TV procuram
as imagens mais dramáticas
que possam encontrar,
quase sempre apresentando
os brutais "golias" israelenses
maltratando os sofredores
"davis" palestinos. Entretanto,
falta normalmente o contexto.
Num
exemplo clássico, a "Associated
Press" distribuiu para
o mundo inteiro uma imagem
dramática. Ela foi publicada
no "New York Times"[19]
e causou revolta internacional
porque a legenda, fornecida
pela "Associated Press",
dizia: "Um policial israelense
e um palestino no Monte
do Templo". Tirada na
época da revolta palestina
após a controvertida visita
de Ariel Sharon à mesquita
de Al-Aksa, a foto parecia
ser um caso flagrante
da brutalidade israelense.
Entretanto, foi constatado
que a legenda era incorreta
e que a foto, na verdade,
mostrava um incidente
que deveria ter conduzido
à impressão exatamente
oposta, se tivesse sido
noticiado corretamente.
Na
realidade, a vítima não
era um palestino agredido
por um soldado israelense.
A foto mostrava um policial
israelense protegendo
o estudante judeu-americano
Tuvia Grossman, que estava
num táxi que foi apedrejado
por palestinos. Grossman
foi puxado para fora do
táxi, surrado e esfaqueado.
Ele conseguiu se livrar
e fugiu para perto do
policial israelense. Nesse
momento um fotógrafo fez
a foto.
Além
de identificar a vítima
de forma errada, a "Associated
Press" também informou
incorretamente que a foto
tinha sido tirada no Monte
do Templo. Na verdade,
o incidente aconteceu
em outra parte de Jerusalém.
Quando
a "Associated Press" foi
alertada sobre os erros,
ela fez uma série de correções,
muitas das quais não esclareceram
a história de forma completa.
Como geralmente acontece
quando a mídia comete
erros, o dano já tinha
sido feito. Muitos veículos
que usaram a foto não
publicaram posteriormente
as devidas explicações.
Outros fizeram correções
que não tiveram nem de
longe o destaque da história
inicial.
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Outro
exemplo de como fotos
podem ser tanto dramáticas
quanto enganosas, foi
uma imagem da "Reuters"
mostrando um menino palestino
sendo preso pela polícia
israelense no dia 6 de
abril de 2001. O menino
estava obviamente atemorizado
e "molhou" suas calças.
Mais uma vez a foto atraiu
a atenção do mundo inteiro
e reforçou na mídia a
imagem dos israelenses
como ocupantes brutais
que abusam de crianças
inocentes.
Nesse
caso, o contexto foi
enganoso. Outro fotógrafo
da "Reuters" tirou uma
foto um pouco antes,
mostrando o mesmo menino
jogando pedras em soldados
israelenses. Poucos
veículos publicaram
essa primeira foto.
Mito:
A imprensa não justifica
os atos terroristas.
Fato:
Pelo contrário, a mídia
rotineiramente aceita
e repete as platitudes
de terroristas e de
seus porta-vozes com
relação aos seus propósitos.
A imprensa aceita ingenuamente
as alegações de que
os ataques contra civis
inocentes são atos de
"combatentes pela libertação".
Em anos recentes, algumas
empresas jornalísticas
desenvolveram uma resistência
contra o termo "terrorista"
e substituiram-no por
eufemismos como "militante",
porque não querem ser
vistas tomando partido
ou julgando os responsáveis.
Por
exemplo, depois que
um homem-bomba palestino
explodiu uma pizzaria
no centro de Jerusalém
em 9 de agosto de 2001,
matando 15 pessoas,
o atacante foi descrito
como um "militante"...
Em contraste, todos
os meios de comunicação
chamaram os ataques
aos EUA em 11 de setembro
de atentados terroristas.
Clifford
May, da "Middle East
Information Network",
chamou a atenção para
o absurdo da cobertura
da mídia: "Nenhum jornal
escreveria: 'Militantes
atingiram o World Trade
Center...', nem diria:
'Eles devem considerar-se
combatentes pela libertação,
e quem somos nós para
julgá-los? Nós somos
jornalistas'."
A
noção de que o "combatente
pela liberdade" para
uns é o "terrorista"
para outros simplesmente
não é verdadeira. É
possível definir o terrorismo.
Eis como o FBI define
a palavra:
Terrorismo
é o uso ilegal da força
ou violência contra
pessoas ou propriedades
para intimidar ou coagir
um governo, a população
civil ou qualquer segmento
dela, com propósitos
políticos ou sociais.[20]
Se
a mídia julgasse os
eventos usando essa
simples definição, os
jornalistas não teriam
dificuldades em usar
a palavra "terrorista".
Mito: A TV Al-Jazeera é a "CNN árabe", proporcionando ao
mundo árabe uma fonte
objetiva de notícias.
Fato:
A Al-Jazeera é uma cadeia
de televisão de língua
árabe, fundada no Qatar,
amplamente assistida
em todo o mundo árabe.
O canal começou em 1996
como um projeto de estimação
do emir do Qatar, xeque
Hamad bin-Khalifa al-Thani,
e ganhou destaque durante
a guerra no Afeganistão,
por causa de seus antigos
contatos com os dirigentes
do Talibã e com Osama
bin Laden. Divulgando
uma variedade de pontos
de vista, incluindo
opiniões dos funcionários
da administração Bush,
a rede buscou criar
a impressão de que é
uma fonte de notícias
objetiva para o mundo
árabe. Na realidade,
a Al-Jazeera tem ficado
conhecida como canal
de propaganda de visões
extremistas no mundo
árabe. Um intelectual
muçulmano culpou a rede
por incitar as massas
árabes contra o Ocidente
e por transformar bin
Laden e seus asseclas
em celebridades. "Há
uma diferença entre
dar oportunidade para
que opiniões diferentes
[sejam ouvidas] e colocar
no ar assassinos armados
para que divulguem suas
idéias", disse o Dr.
Abd Al-Hamid Al-Ansari,
decano de Shar'ia e
Direito na Universidade
do Qatar.[23]
Numa
entrevista ao programa
"60 Minutos", um correspondente
da Al-Jazeera, ao se
referir à cobertura
de notícias do conflito,
disse que os palestinos
morrem como mártires.
Quando Ed Bradley [o
entrevistador] replicou
que os israelenses os
chamariam de terroristas,
ele respondeu: "Esse
é um problema dos israelenses.
É um ponto de vista".
Quando lhe perguntaram
como eles descrevem
os israelenses que são
mortos por palestinos,
a resposta foi: "Damos-lhes
o nome certo: israelenses
mortos por palestinos".
Bradley disse ainda
que a cobertura da intifada
pela Al-Jazeera foi
responsável por incitar
manifestações pró-palestinas
por todo o Oriente Médio.[24]
(extraído de www.us-israel.org/jsource/myths/ - http://www.beth-shalom.com.br/)
Notas:
10.
Near East Report (5
de agosto de 1991).
10a. Jerusalem Report
(22 de abril de 2001).
10b. Jerusalem Report
(22 de abril de 2001).
12. Washington Post
(10 de maio de 2001).
13. CNN (10 de outubro
de 2000).
19. New York Times (30
de setembro de 2000).
20. Washington Post
(13 de setembro de 2001).
23. Al-Raya (Qatar),
(6 de janeiro de 2002).
24. 60 Minutos, "Inside
Al-Jazeera" (10 de outubro
de 2001).
Publicado
anteriormente na revista
Notícias
de Israel, maio de
2002.